O alimento do futuro está nas mãos dos produtores familiares 1

Diante desta parada GLOBALIZADA e tantas mudanças na vida planetária, me sinto instigada por saber mais sobre como se encontra a produção e distribuição dos alimentos que considero DO FUTURO, que sempre afirmo, DO AGORA. Saber mais sobre este setor, que é fundamental para alimentar as pessoas nas suas várias refeições diárias, é muito importante. Não só por buscar, como sempre, pela prosperidade dos que plantam, mas por avaliar o que está por vir a curto e médio prazos, com relação ao abastecimento alimentar da população.

Dito isto, busquei e sigo buscando, entrevistar pessoas envolvidas com o setor, e neste boletim de junho 2020, pretendo que todos saibam e compartilhem e busquem mais envolvimento e cumplicidade. Comecemos pela Rosana de Andrade de Londrina/PR.

Na Natureza, tudo é complementar. Existe uma rede subterrânea, onde tudo está interligado. Por meio de uma dinâmica notável, são concebidos vínculos, permutas, pactos...para que todos tenham seu ciclo de existência, com vitalidade e energia abundantes.

Igualmente, agricultores, produtores, consumidores e comerciantes, aliados, engajados e comprometidos com a mesma raiz, podem gerar e preservar o universo dos alimentos sadios, para mais e mais pessoas a cada dia. Considero ser, uma meta vital para a sobrevivência da espécie humana.

Na agricultura sustentável, orgânica e agroecológica, na região de Londrina/PR, muitas ações, atitudes e projetos estão movimentando o segmento. Nesses tempos árduos em que o mundo está vivenciando, costumes e hábitos são avaliados e a inquietude com alimentação eleva.  

Na Feira de Orgânicos do Zerão, constituída em outubro de 2018, feira exclusivamente de produtos orgânicos, os produtores comentam as mudanças: “Filhos sem aula, trabalho online em casa e preocupação com a alimentação, aumentaram os pedidos para entrega.” Essa avaliação é de Ana Shingo, produtora familiar, com sitio em Ibiporã, cidade vizinha. Renata e Alex, do Sitio Machado em Apucarana, cidade a 60 km de Londrina, feirantes também comentam, “Com o isolamento, as pessoas passaram a cozinhar mais em casa, aumentou a preocupação com alimentos de qualidade. Cresceu a entrega de cestas, mas, com a falta de chuva a produção caiu, hoje é essa a nossa dificuldade.”   

Para os comerciantes, o cenário está fluindo muito bem, inclusive, me surpreendendo. Com experiência própria, fui pequena empreendedora do setor de orgânicos, em Londrina, entre 2005 e 2014, quase que uma percursora, onde a conscientização era o maior desafio da época. Agora consumidora, estive na Paraiso Orgânico, loja da Andrea e do Alex, trocando algumas impressões com a Ingrid e o Allison, que comentaram:

“Os produtores estão se organizando para fazer entregas, estão vendo o setor crescendo, querem escoar seus produtos.”

Isso é excelente, estão vendo novas alternativas!

“Com relação aos consumidores, estão mais interessados, perguntando mais sobre a origem dos produtos.”  

E quanto aos produtos, agora muito mais diversificados?

“Estão comprando mais, as entregas cresceram muito, farinhas então, passaram até a produzir seu próprio pão.”

Comprometida com o desenvolvimento sustentável, Christina Mattos, jornalista, sócia da empresa Todos por Um Londrina, é voluntária na produção de conteúdo e divulgação de diversos movimentos, tais como “Ajude o pequeno”, “Compre local”, “Comer melhor“. Christina avalia: “É importante a troca de informações entre consumidores e produtores, para que os mesmos entendam as necessidades, dúvidas e barreiras de cada um.”  

Pensando em estreitar esse relacionamento, nesses quatro anos da empresa, Christina levou pessoas para conhecer produtores e seus produtos, diretamente na propriedade. Sobre a comercialização direta comenta: “Conquistar o cliente por excelência é necessário organização, profissionalização, transparência nas informações sobre os produtos, sobre os serviços, sobre os agricultores e produtores.”

Como consumidora acrescenta: “Comer melhor e ter saúde, todos nós queremos, para isso, o consumidor precisa se envolver, ser mais atuante, ser ponto de coleta.”

Finaliza: ”Já vi muitas iniciativas nessa área dando certo, desejo muito para minha cidade, que se aumente a oferta para que seja acessível para todos.”

Incentivadora e consumidora da rede há anos, a servidora pública federal Denise Lebon, comenta as alterações nas suas compras após o isolamento social: “A venda por whatsapp, com transferência bancária ou link para pagamento por cartão de credito, facilitou minhas compras e também as entregas.

Com experiência em outras iniciativas semelhantes, com a intenção de estimular, fomentar e facilitar ainda mais as vendas num mundo cada vez mais online,  Denise sugere: “Poderia existir uma plataforma na internet, como uma Feira Virtual, por fornecedores, produtores, lojas... com as opções de entrega, dias, taxas... Enfim encomendar, comprar em um só lugar.”  

Sempre envolvida nas questões ecológicas e sustentáveis, reconhecendo o que temos aqui, ajudando o pequeno, valorizando quem produz, Denise conclui, “Para uma sociedade com uma economia mais equilibrada, todos precisam estar bem.”

O meu sentimento sobre o caminho, entre o imaginário e o real, o desejo e o ato, que ele é um corpo em construção constante. A natureza se perde muitas vezes por dia, para se reencontrar. Precisamos nos acolher, encontrar nossa função e tecer essa trama juntos!    

Entrevistei o agricultor orgânico José Carlos de Ibiúna/SP, cuja especialidade são as PANC, mas que cultiva também verduras convencionais. O conheci nas feiras semanais da AAO (Associação de Agricultura Orgânica) no Parque da Água Branca e alguns shoppings de Sampa.

Ele felizmente está conseguindo manter sua propriedade agrícola de pé, segue com seus funcionários, remunerados da mesma forma, e até expandindo algumas áreas de plantio para poder aumentar sua diversificação de ofertas.

Fiquei feliz de compartilhar com ele o fato de que por Ibiúna estar muito próxima da capital, muitas famílias se mudaram para estar durante a quarentena mais próximas do campo e natureza. Com isso, os alimentos orgânicos produzidos pela sua propriedade estão sendo escoados para toda a cidade: os habituais e os novos moradores. Sendo que a grande maioria destes novos, que sempre tiveram suas casas de campo em Ibiúna, confessam: eu não sabia dos seus produtos, não sabia que vocês existiam, não sabia que Ibiúna tem produção farta de orgânicos... Vamos olhar pelo prisma do positivo?

A outra pérola desta entrevista foi uma reflexão do José para com seus novos consumidores 'urbanos': "se eu precisar de parar minha produção, vou seguir tendo alimentos e me alimentando normalmente. Contudo, sigo produzindo porque amo o que faço, e por saber que se pararmos a produção, as pessoas que vivem cercadas de cimento, não terão tanta facilidade para seguir se alimentando de verdade."

Entrevistei também a Ana Flávia do Instituto Kairós e ativista do Viva a Agorecologia, super engajada em levar as hortas e pomares PANC para as escolas. Saiba mais como implantar em Série Vídeos PANC na escola - Viva Agroecologia.

Mas a notícia meio chata é que as hortas e pomares das escolas seguem muito bem obrigada, porque sendo PANC praticamente não precisam de manejo... Porém as escolas estão fechadas, ninguém pode entrar para colher ou distribuir tais alimentos... Triste de saber!

Entrevistei o ARPAD Spalding do Instituto Kairós que trabalha com produtores orgânicos do cinturão - zona sul - de Sampa e segundo ele, organizados de forma coletiva, estão conseguindo abastecer um número crescente de pessoas, com cestas CSA e outras formas de delivery. Existe até uma demanda acima da capacidade produtiva. Ou seja: cresceu... Um público novo chegou, e como no caso do José Carlos de Ibiúna/SP, que irá ficar fiel, porque agora já conhecem e re-conhecem a qualidade destes produtos agroecológicos.

A preocupação segundo Arpad, Ana Flávia e José Carlos vai para aqueles agricultores mais distantes do urbano, com tecnologias tipo wi-fi mais deficientes, pouca mão de obra e recursos para entregas. Também para aqueles agricultores acima de 60 anos, que são mais vulneráveis para tanta exposição.

Finalmente, um apelo

Para saber mais sobre as doações: 

Colabore no site: http://vaka.me/1040686
Você pode buscar pelo ID da vaquinha: 1040686

Produtores / Feiras / Lojas :

Sítio José Carlos Gonçalves - Sítio Gonçalves - Ibiúna/SP - Rua Moacir leme da Silva S/N - (15) 99743-3698 

*Ana Shingo - Londrina/PR - (43) 98805-7617 - @organicosshingo

Alimentaria - Fernanda - Londrina/PR - (43) 99995-5689 - @alimentarialondrina

Chácara Marabu - Adrian - Londrina/PR - (43) 99812-6785 - @chacaramarabu

Cia Verde - Leandro - Londrina/PR - (43) 99117-3272 - @organicosciaverde

Estancia Baobá – Livia e Sam - Londrina/PR - @estanciabaobá

Feira de Orgânicos do Zerão - Londrina/PR - Sábados das 8h00 às 11h00

Feirão da Resistência e da Reforma Agrária – Ceres e Danilo -  Londrina/PR - (43) 99981-2415/ 99117-0670 

Pacha Mama Agroecologia - Ruano - Londrina/PR - (43) 99996-6563 - @pacha_mama_agroecologia

*Orgânicos Paraíso – Ingrid e Allison - Londrina/PR - (43)99148-8383 - @organicos.paraiso

Quitanda Orgânica- Cinthia e Alyne - Londrina/PR - (43) 99944-1804 - @quitandaorganica

Rampazzo – Thaise - Londrina/PR - (43) 99942-4633 - Facebook: Rampazzo Orgânicos

*Sítio Machado – Renata e Alex - Londrina/PR - (43) 99646-4457

Terra Planta Orgânicos – Gabriela e Eduardo - Londrina/PR - @terraplantaorganicos


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* Conceição Trucom
 é química, pesquisadora, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Possui 10 livros publicados, entre eles O Poder de Cura do Limão (Editora Alaúde), com meio milhão de cópias vendidas, Mente e Cérebro Poderosos (Pensamento-Cultrix) e Alimentação Desintoxicante (Editora Alaúde).

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citadas a autora e a fonte: www.docelimao.com.br

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